Opinião – "Que decepção, Valmir". Ou, um sarapatel de coruja – jlpolitica.com.br

[*] Lelê Teles
Os eleitores de Valmir de Francisquinho caíram como uns patinhos na conversa mole de que ele representava a nova política.
Ao declarar seu apoio ao senador petista Rogério Carvalho, sem consultar seus eleitores, Valmir provou ser mais do mesmo.
Ora, como é que um bolsonarista raiz como Valmir amanhece em um hotel na orla da capital Aracaju enchendo de afagos e elogios o sujeito que até pouco tempo ele tratava aos catiripapos?
Isso é velha política na veia.
Valmir tinha tudo para se tornar o nome mais forte da oposição e voltar ao próximo pleito nos braços do povo, aclamado pela sua coerência, resiliência e resistência aos acordos nebulosos. Só que não.
Após o seu breve voo de galinha, Valmir decidiu bater as asas para o lado dos velhos caciques que já foram escorraçados pelo povo.
Por não entender a lógica desse drible da vaca que Valmir acaba de dar em seus eleitores, o povo passa especular: que diabos de acordo secreto foi travado entre Rogério e Valmir para que eles selassem essa estranha aliança?
Há quem diga que pode ser um sinal de gratidão de Bolsonaro por Rogério ter ajudado a viabilizar o Orçamento Secreto, uma maracutaia que drena verbas da educação e da saúde e que enche os bolsos de prefeitos inescrupulosos.
O tal Orçamento Secreto já começou a causar estragos na nação, fechando farmácias populares, inviabilizando o funcionamento de universidades, arrochando ainda mais a vida do trabalhador.
Será que Rogério vai receber em seu palanque Lula e Bolsonaro?
Esse sarapatel de coruja vai fazer muita gente anular o voto e muitos eleitores de Valmir, decepcionados, vão lhe virar as costas.
O pato, que até pouco tempo estava voando baixo, surfando em uma corrente de ar que lhe dava grande capital político, de uma hora pra outra, resolve jogar tudo pro ar. Em troca de quê?
O fato concreto é que Rogério já havia traído Lula, ao votar pelo orçamento secreto, e agora o trai de novo se abraçando ao bolsonarista.
Valmir, por sua vez, trai Bolsonaro ao colocar o petista debaixo de suas asas, numa estranha metamorfose em que um pato se converte em uma traíra.
Em verdade, quem foi traído mesmo foi o povo sergipano.
Por isso, alguns malvadinhos já começam a chamar Valmir de Tio Patinhas.
Imaginam, os imaginativos, o pato mergulhando, todo fagueiro e sorridente, numa sacola cheia de moedas douradas e estrelinhas do petê.
Uma coisa é inegável, trata-se de dois traidores: Rogério traiu Lula, ao viabilizar o orçamento secreto, e Valmir traiu Bolsonaro ao se abraçar com um petista avermelhado.
O certo é que ambos traem o povo sergipano com uma aliança estranha, nada programática e com sinais de segredos tenebrosos.
A coisa parece que já estava sendo tramado ainda no primeiro turno.
O eleitor de Valmir, é o que se deduz ao ler os comentários em suas redes, está decepcionado e se sente traído.
“Que decepção, Valmir!”, é a frase mais repetida pelos valmiristas.
Quem ganha com isso é Fábio, que segue ao lado do time mais vitoriosos nessas eleições. O povo deu aos aliados de Fábio uma grande votação, elegendo 16 deputados estaduais, seis federais e um senador.
A grande diferença entre Valmir e Fábio é que, embora Laércio seja eleitor de Bolsonaro, Fábio assumiu desde o início o apoio do senador eleito; ele nunca enganou ninguém, ao contrário de Valmir.
É por isso que muitos eleitores, decepcionados com Valmir, podem dar um voto de descontentamento e protesto, elegendo o cinco cinco.
Ao se abraçar com o candidato que tem a maior rejeição do eleitorado sergipano, Valmir atraiu para si uma desgraça que não era dele e da qual ele não precisava. Valmir agiu como um arquiteto de ruínas e vai ter um grande trabalho no futuro para sair debaixo dos escombros no qual ele se enfiou por conta própria. Palavra da salvação.
[*] É marqueteiro político e roteirista.
*Campos obrigatórios.
















