As prioridades de Alckmin: nova política industrial e apoio às … – NeoFeed

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Diretrizes do Ministério da Indústria e Comércio, reveladas ao NeoFeed por fonte próxima do novo governo, incluem criação da Secretaria da Micro e Pequena Empresa e apoio da Apex para exportação
O vice-presidente Geraldo Alckmin será o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e chefe de Mercadante no BNDES (detalhe ao fundo)
O vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) vai comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDICS) do novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com duas prioridades, ambas com foco em inovação.
A primeira é a formulação de uma nova política industrial para o país. A segunda prioridade é dar apoio às micro e pequenas empresas, por meio da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que será criada.
As diretrizes da Pasta foram reveladas ao NeoFeed por uma fonte próxima do novo governo após o anúncio da nomeação de Alckmin, feito pelo presidente eleito Lula na manhã desta quinta-feira, 22 de dezembro, em Brasília.
“A principal prioridade da pasta será dotar as micro e pequenas empresas de capacidade de inovação, e para isso será formulada uma nova política industrial e criada uma estrutura no ministério para facilitar a aproximação desse segmento com as universidades públicas e ajudá-lo a participar do mercado exportador”, acrescentou a fonte.
As diretrizes da nova política industrial serão desenvolvidas pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), entidade de natureza privada que compõe o rol de entidades do Sistema S. Criada em 2004 para promover e executar ações voltadas ao desenvolvimento industrial, a ABDI foi escanteada no governo Jair Bolsonaro, passando a atuar como consultoria de digitalização.
As políticas de apoio às cerca de 15 milhões de micro e pequenas empresas serão concentradas em dois órgãos. Um deles é a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, que será criada dentro da estrutura do MDICS. O outro órgão é a Apex (Agência de Promoção à Exportação) que, como já havia sido anunciado, sairá do Itamaraty e voltará ao MDICS.
A Apex vai apoiar as exportações das micro e pequenas empresas. “A ideia é adotar o modelo italiano, que tem uma agência que coordena a formação de um consórcio de pequenas empresas”, disse a fonte. “Mas precisa ter uma agência governamental fazendo isso e esse será o papel da Apex.”
Crise política
Com a nomeação de Alckmin, Lula aparentemente contornou uma crise com setores do empresariado e do mercado financeiro após anunciar, na semana anterior, o economista Aloizio Mercadante na presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
A escolha de Mercadante, que foi ministro no governo de Dilma Rousseff e faz parte do grupo político de Lula, foi alvo de críticas por não ter um perfil próximo do mercado.
Como o BNDES ficará dentro da estrutura do MDICS, Lula passou a ter dificuldades de conseguir candidatos no setor empresarial dispostos a assumir o ministério, pois havia o temor de o novo ministro não ter peso político para contestar medidas de Mercadante.
O empresário Josué Gomes da Silva – presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e filho de José Alencar, ex-vice de Lula – e Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, declinaram do convite.
A escolha da Alckmin foi elogiada por setores da indústria e do mercado financeiro. Um empresário, que não quis se identificar, gostou da nomeação do vice-presidente eleito como chefe de Mercadante porque “ele pode colocar um freio no ímpeto expansionista”.
Outro empresário, que também preferiu ficar no anonimato, foi mais cauteloso. “Vamos esperar, no segundo semestre de 2023 conversamos de novo”, disse ele.
De forma geral, os empresários com quem o NeoFeed conversou gostaram da escolha de Alckmin para o cargo e ressaltaram o acerto da escolha para uma pasta considerada importante para a economia.
“O vice-presidente Alckmin é um bom nome para o Ministério da Indústria e Comércio no momento que a indústria no Brasil precisa de um plano para voltar a ter o protagonismo que já teve a muito tempo atrás”, disse Laércio Cosentino, sócio GHT4 e fundador e chairman da Totvs. “Ele é um político que presa o diálogo e suas atuações sempre priorizaram a execução. É disso que o setor precisa.”
O presidente do banco de investimento BR Partners, Ricardo Lacerda, também elogiou a escolha de Alckmin. “Acho um excelente nome, com experiência em gestão e ótimas relações no meio empresarial”, afirmou.
Expectativa
Para o economista Carlos Honorato, professor da FIA Business School, Lula cometeu um erro ao anunciar o presidente do BNDES antes da nomeação do ministro que terá o banco sob suas ordens. “A opção por Mercadante foi ruim no timing e na escolha”, disse.
Honorato, porém, elogiou as diretrizes do novo ministério. “Essas prioridades talvez não satisfaçam o mercado, mas é o que precisa ser feito, o Brasil tem 70 milhões de pessoas que dependem de micro e pequenas empresas”, acrescentou.
Segundo ele, a expectativa maior dos grandes empresários é que o novo governo não atrapalhe, com risco fiscal, juros e incerteza. “Se o governo sinalizar logo uma reforma tributária, o empresariado se convence, o mercado é volúvel, se tiver crescimento, terá apoio.”
Já o setor de comércio, cujas diretrizes também fazem parte das atribuições do MDICS, embora tenha recebido bem a nomeação de Alckmin, mantém uma cautela.
O economista Claudio Felisoni, professor da FIA Business School e um especialista em varejo e consumo, diz que o setor trabalha com dois cenários.
“No curto prazo, com o Bolsa Família, esperamos um impacto positivo no comércio, com expectativa de crescimento moderado no consumo do próximo ano”, disse.
No médio prazo, o cenário é mais turvo. “O consumo, não só do varejo, mas de bens e serviços, vai depender da renda nominal, que acaba sendo turbinada pelo Bolsa Família, da renda real (descontada a inflação) e das taxas de juros e de emprego”, diz Felisoni.
O temor, segundo ele, é a expansão fiscal, o que pode obrigar o novo governo a aumentar os impostos ou reduzir as despesas. “O crescimento da inflação preocupa.”
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