Lembranças de quando o Rei esteve em Americana – Liberal

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Pelé não pisou nos gramados de estádios da RPT, mas passagens pelo Hotel Cacique estão gravadas na memória de americanenses
Por Gabriel Pitor
08 de janeiro de 2023, às 11h34 • Última atualização em 08 de janeiro de 2023, às 11h38
Link da matéria: https://liberal.com.br/esporte/esportes-da-regiao/lembrancas-de-quando-o-rei-esteve-em-americana-1890596/
A primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, em 1958, ficou marcada por um gol antológico, considerado o mais bonito da história da seleção. Aos 10 minutos do segundo tempo, Nilton Santos cruzou milimetricamente para Pelé, que matou no peito, deu um chapéu no zagueiro sueco Bengt Gustavsson e chutou de primeira, sem pulo, para fazer 3 a 1 contra a Suécia.
O Brasil derrotou os donos da casa por 5 a 2, no estádio Rasunda, e alçou o topo do mundo. Edson Arantes do Nascimento, aos 17 anos, que antes era realeza apenas nas crônicas de Nelson Rodrigues, finalmente foi coroado como o Rei Pelé.

A partir desse dia, por onde o Rei passava, arrastava fãs e curiosos que queriam guardar alguma recordação. O Santos, que além de Pelé, tinha outros craques como Zito, Dorval, Jair e Pepe, passou a levar multidões nos estádios pelo País, especialmente no interior de São Paulo nas disputas do Campeonato Paulista.
Quando vinha jogar na região de Campinas, contra Guarani, Ponte Preta e XV de Piracicaba, o Rei se hospedava na pujante cidade de Americana, mais especificamente no Hotel Cacique, em frente à Praça Comendador Müller, no Centro.

Na época, o tradicional hotel era administrado por Enzo Rando, pai do comerciante Eriz Rando, que, aos 69 anos, guarda uma foto da família com Pelé, às vésperas de um jogo contra o XV, em outubro de 1958. Nela, também estão o avô Pedro e a irmã Edna.
“Ainda não existia, naquele tempo, a rodovia [Luiz de Queiroz]. Os times se hospedavam no Cacique, pegavam a Rua Rui Barbosa, a avenida que hoje é a Campos Sales e iam até Piracicaba por dentro de Santa Bárbara d’Oeste. E para Campinas também iam por dentro de Americana”, conta Eriz.

“Eu não me lembro muito bem do dia, porque eu era muito pequeno. Só me recordo da movimentação no hotel e que de repente meu pai chamou todo mundo para tirar foto. Ele ainda estava no início da carreira, mas já era um grande jogador, muito visado” completa.
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MEMÓRIA. A aposentada Marli Benencasse Squarizzi, 83, também guarda uma recordação de Pelé neste mesmo dia. Porém, ela não está na foto, mas, sim, o seu pai, Victor Benencase, que foi jogador de times de Americana dos anos 20 aos 40 e irmão de Amalio “Lulu” Benencase, que dá nome ao teatro. Outro personagem da imagem é Décio Vitta, que foi vereador e presidente do Rio Branco.
“O Hotel Cacique era referência na época. Era praticamente o único da cidade. E meu pai ficava com os amigos ali na Praça Comendador Müller. Nesse dia eles estavam ali em frente, entraram para conversar com os jogadores e tiraram essa foto”, relata Marli.
Já a dona de casa Sylvia Helena Pantano, 74, conseguiu uma outra recordação bastante significativa: um autógrafo do Rei. “Eu tenho uma lembrança boa do dia. Eu morava do lado do Banco Scatena e desci para brincar ali na praça [Comendador Müller]. Estava com o livro, aí quando o Pelé começou a atender todo mundo, eu fui lá e consegui um autógrafo. Ele atendeu todo mundo, estava bem movimentado”, diz.
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DESPEDIDA. Ela também acompanhou na última semana o velório de Pelé, em Santos, já que estava em um apartamento da família na cidade. “Foi uma cerimônia muito bonita, organizada. Enquanto estava acontecendo o cortejo, as igrejas batiam o sino. E muita gente, muito barulho. A cidade estava emocionada e à noite ficou aquele silêncio, como se todos estivessem de luto. O mundo sofreu, ele era muito representativo.”
Para Evair Squarizzi, 82, marido de Marli e também jogador de times amadores da região nos anos 50 e 60, Pelé é inigualável: “O jogador que chega mais perto dele é o Garrincha. Mas o Pelé é único, ninguém vai superar. A qualidade que ele tinha para matar a bola, para driblar, para finalizar. É o jogador mais completo que eu já vi, não existirá outro.”
O Hotel Cacique foi inaugurado no início dos anos 50 pela família Duarte. O prédio permanece até hoje no cruzamento da Praça Comendador Müller com a Rua Washington Luiz. O local também abrigou o Cine Cacique, um dos mais importantes cinemas de Americana e que esteve ativo até 2001. O estabelecimento passou por vários proprietários ao longo da história, sendo que os atuais são Edson e Sandra Gutierrez.
REGIÃO. As eventuais vindas de Pelé para Americana eram motivadas pelos jogos do Campeonato Paulista, da Taça São Paulo e do Campeonato Brasileiro contra Guarani, Ponte Preta e XV de Piracicaba. De 1956 a 1974 foram 42 jogos na região, sendo 24 vitórias do Santos e 28 gols de Pelé. Vale ressaltar que nem sempre o time se hospedou na Princesa Tecelã para essas partidas.
As equipes da RPT (Região do Polo Têxtil) não enfrentaram o Santos de Pelé. O Rio Branco permaneceu com o seu departamento de futebol ativo até 1959, quando se afastou até retornar na fusão com o Americana Esporte Clube (antigo Vasquinho) em 1979.
Já o União Barbarense entrou no futebol profissional em 1964, mas não jogou contra o Rei do Futebol, assim como Carioba, Vasquinho e Flamengo, de Americana, e Palmeiras da Usina Furlan, Internacional e CAUSB (Usina Santa Bárbara), de Santa Bárbara d’Oeste, agremiações que também estavam ativas na época. 
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