Bolsonaro é uma caricatura do ditador Floriano Peixoto – UOL

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Jornalista e escritor, é autor de 'Carolina, uma Biografia' e do romance 'A Bolha'
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Depois de se apossar do poder, de forma discricionária, em 1891, após a renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, eleito pelo colégio eleitoral, com a promulgação da primeira Constituição da República, o vice-presidente Floriano Peixoto desembestou a governar o país com mão de ferro —daí a sua alcunha, muito bem empregada, de “marechal de ferro”.
Como Deodoro não havia completado dois anos consecutivos do mandato, a nascente Constituição prerrogava que uma nova eleição deveria ser convocada, invalidando a Legislatura anterior, com a qual eles haviam sido alçados ao poder.
Só que não. Floriano, a despeito de toda as manifestações públicas e privadas para que deixasse o palácio do Itamaraty, então sede do governo, resolveu endurecer o seu discurso de ditador, decretando estado de sítio e colocando o dedo na cara de quem resolvesse peitar suas ordens.
Não satisfeito com esses desmandos, Floriano foi além. Calou na marra, prendeu e baniu uma centena de intelectuais, poetas, jornalistas, advogados e políticos que ameaçavam contrariá-lo. Regiões inóspitas da Amazônia receberam levas de homens públicos que, pela defesa da democracia do país, tiveram seus direitos cassados e foram enjaulados como feras a ser dominadas e abatidas.
Com sua carantonha enfezada, Floriano Peixoto saía de sua residência no Rio Comprido, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, com sangue nos olhos. No gabinete do palácio, andava armado. Qualquer um temia encará-lo. Despachar com ele, de fato, era uma temeridade: se fosse militar, qualquer botina suja ou farda amarrotada era motivo de dura reprimenda; se fosse civil, uma fala fora do lugar ou um olhar descontente podia ser visto como desacato e levar à prisão.
O Brasil teve levantes, sobretudo no Sul, contra o governo. Violências desmedidas, violações de direitos humanos e alucinações de que a monarquia estava por trás de muitas das reações até ali ocorridas —a maior fake news da época — foram propaladas para justificar agressões, prisões e até a degola das forças resistentes.
O braço armado do “marechal de ferro” era o coronel Moreira César, uma espécie de Roberto Jefferson do presidente Jair Bolsonaro —alucinado e desvairado, atirava até na sombra, matava e mandava matar, sem qualquer culpa moral ou ética.
Entre as muitas aberrações do presidente-ditador, está a decretação de estado de sítio e as ameaças ao Supremo Tribunal Federal. Ao saber que o STF ia conceder habeas corpus impetrado por Rui Barbosa em favor dos políticos banidos, Floriano foi categórico aos ministros: “Se os juízes concederem habeas corpus aos políticos, eu não sei quem amanhã lhes dará o habeas corpus de que, por sua vez, necessitarão”. Diante disso, o STF ficou caladinho e negou a ação jurídica por dez votos a um.
Marcado por autoritarismo, personalismo, centralização e controle do Exército, que teve generais opositores exonerados e aposentados compulsoriamente por decreto, o lema florianista era bem parecido com aquela máxima cunhada pelo general Pazuello, diante do seu presidente Jair Messias —”Um manda e outro obedece”.

Qualquer semelhança com abuso de poder, banditismo e desordem social, guardadas as devidas proporções, não é mera coincidência no cenário nacional. Para Bolsonaro só falta aparecer um Lima Barreto para glosar dele em um romance.
O escritor carioca comentou espetacularmente sobre o ditador alagoano por meio do romance “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, publicado em 1915. O fantasista Floriano que previa “ataques insidiosos dos inimigos” é uma caricatura do presidente atual, que se projeta no governo com favorecimento das Forças Armadas, de políticos de baixo clero e ameaçando a Justiça e a imprensa, além dos crimes eleitorais.
Bolsonaro e Floriano são almas siamesas —com uma certa vantagem de inteligência do presidente da primeira República. O uso da força, as alianças com políticos corruptos e partidos de ocasião, desprezando vidas, ciência e desenvolvimento social, são marcas do governante.
Em 1891, a polarização era contra os deodoristas. Os florianistas tinham espécie de “ordem para matar”, tudo a bem do regime republicano. O episódio de Roberto Jefferson, com a complacência do candidato Bolsonaro e a visita do ministro da Justiça —além da aquiescência de policiais do Polícia Federal —nos leva a crer que as correlações de poder ditatorial de ontem e de hoje se imbricam e relacionam.
É urgente restabelecer a ordem constitucional. O Brasil está no ritmo do romance de Deonísio da Silva —”Avante, Soldados: Para Trás”. Fica a dica.
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