Capixabas trazem medalha de ouro Campeonato Brasileiro de basquete de rodas – ESHOJE – ES Hoje

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O time de basquete em cadeira de rodas do Espírito Santo venceu o Campeonato Brasileiro Feminino na modalidade. A vitória, bastante comemorada pelo time, teve gosto ainda mais especial para uma moradora da Serra, prestes a completar 60 anos. Fátima Trindade conquistou mais uma medalha em disputas nacionais, totalizando 9 até o momento.
No dia 11 de outubro, quando se pauta a luta da Pessoa com Deficiência Física, Fátima conta que encontrou na fé e no esporte a motivação para superar os desafios que surgiram com a necessidade de amputar uma de suas pernas.
Mudança de planos
A história de Fátima é de superação, porque precisou encarar uma realidade completamente desconhecida, por acaso. Ela estava em viagem para Recife, quando descobriu um coágulo na panturrilha que a fez ser internada às pressas. “Por lá eu fiquei durante seis meses”, conta.
Longe de casa e dos filhos, Fátima vivenciou um drama que lhe custou caro. Meses de internação e alguns diagnósticos de trombose depois, o inevitável aconteceu. “Eles não me socorreram adequadamente, quando eles foram fazer uma cirurgia de reparação não tinha mais tempo”, lamenta.
De volta à rotina
De volta para casa, no bairro de Eldorado onde ela mora atualmente, Fátima, que àquela altura cuidava sozinha dos filhos, precisou se adaptar à nova realidade. Ela revela que foi um processo longo. A capixaba chegou a entrar em depressão diante deste novo cenário. “A todo o momento você encontra uma barreira, que você precisa respirar fundo e vê como você vai ultrapassar ela”, lamenta.
Agora, ela percebia que o dia a dia nas ruas, em casa, nos calçamentos, nas lojas e nos ambientes públicos não haviam sido pensados para atender uma pessoa com deficiência física.
Esporte e fé
Durante todo o processo que teve início com as complicações até a recuperação efetiva, Fátima, que é adventista, revela que a fé foi elementar. As dores eram intensas e as preces também. E nos momentos mais desafiadores, como quando ela passou por quatro cirurgias em uma semana, as orações da comunidade religiosa fortalecia a esperança de que ela sairia viva e com saúde. As cirurgias nunca eram feitas sem antes haver um movimento de oração por parte dela e das pessoas que a amavam.
Além das preces, Fátima também passou a se dedicar a costura para complementar a renda e ajudar a passar o tempo. Na época, conseguiu se aposentar e dois anos após receber a alta médica, ela passou por mais uma profunda mudança que tal qual a primeira, nunca imaginaria que fosse acontecer.
“Eu tive a consciência de que eu precisava restabelecer minha saúde. E durante as sessões de fisioterapia, descobri o basquete. Passei a treinar e nunca mais parei”, salienta.
Uma história de amor pelo esporte e de superação que completa quinze anos. Para alcançar os resultados, Fátima, que é a pivô do time, precisa treinar semanalmente.
A competição mais recente foi o Campeonato Brasileiro Feminino de Basquete em Cadeiras de Rodas 2022. O torneio ocorreu no Centro de Treinamento Paralímpico em São Paulo entre os dias 12 e 16 de setembro. Sete times de todo o Brasil participaram do Campeonato. Duas equipes paraenses, uma mineira, outra carioca, um time do Distrito Federal e o time capixaba, do qual Fátima faz parte.
Em maio também deste ano, Fátima e o time estadual do Espírito Santo conquistaram a medalha de prata na Super Copa, no Rio de Janeiro. A competição reúne os quatro times mais bem colocados do Campeonato Brasileiro.
A falta de um olhar mais sensível ao esporte adaptado é uma realidade, conta Fátima. No entanto, a falta do reconhecimento não a impede de jogar como uma atleta gigante, o que de fato ela é. Não apenas pelas medalhas que conquistou nos campeonatos de basquete, mas porque no jogo da vida, ela sabe que venceu.
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