Cartão corporativo: Bolsonaro pagou R$ 109 mil em local com marmita – UOL Confere

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
Colunista do UOL em São Paulo, foi repórter de O Globo, Época, Estado de Minas e Diário da Tarde. Integrou a equipe do FinCEN Files, investigação finalista do Pulitzer 2021. Vencedor dos prêmios Esso 2008 e 2010 e de menções especiais no Prêmio IPYS/Transparência Internacional, 2009 e 2011. Foi presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no biênio 2016/2017. É formado em jornalismo pela PUC Minas.
Colunista do UOL
12/01/2023 11h07Atualizada em 12/01/2023 15h20
Entre os R$ 27,6 milhões gastos com cartões corporativos da Presidência da República no governo Bolsonaro, chama a atenção um gasto de R$ 109.266,00 no modesto restaurante Sabor de Casa, localizado no centro de Boa Vista, em Roraima, em um único dia, 26 de outubro de 2021.
É a maior despesa única com alimentação registrada em um cartão da Presidência durante mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022).

A legislação determina que os dados da Presidência sejam tornados públicos ao fim do mandato presidencial e eles foram divulgados no último dia 6. A agência de dados especializada no acesso a informações públicas, Fiquem Sabendo, noticiou hoje (12) a divulgação da lista pelo governo.
O Sabor de Casa é um restaurante que oferece marmita nas versões econômica (R$ 17) e tradicional (R$ 23). O carro chefe da casa é o frango assado com farofa e baião, que serve pelo menos três pessoas e custa R$ 50.
Com o valor pago pela Presidência da República no estabelecimento, teria sido possível comprar 6,4 mil marmitas econômicas. Ou então 4,7 mil marmitas tradicionais. Ou, ainda, 2,1 mil encomendas do frango assado com farofa e baião.
Em 26 de outubro de 2021, Bolsonaro desembarcou na cidade por volta de 9h40, visitou um abrigo para imigrantes venezuelanos, participou de um encontro com indígenas, almoçou com o comando do Exército na região e participou de um culto de comemoração pelo aniversário da Igreja Assembleia de Deus. Ele voltou a Brasília no fim da tarde.
A dona do restaurante Sabor de Casa, Roberta Rizzo, confirmou à coluna a compra realizada pela equipe de Bolsonaro.
“Eles solicitaram almoço e uns kits de lanche para atender à equipe de segurança. Era um kit bem completo, com pão, queijo, presunto, fruta, água e biscoito”, disse.
A coluna perguntou à empresária se o valor da despesa divulgado pelo governo poderia estar errado, por conta de algum erro do sistema de cartão corporativo. Ela disse não estranhar o valor.
A reportagem perguntou, então, como kits de lanche e almoço entregues no dia de uma visita do presidente à cidade puderam custar R$ 109,2 mil.
“Não lembro exatamente a quantidade, mas foi um serviço que entregamos direitinho e que seguiu o padrão de preços da cidade”, disse.
Rizzo pediu à reportagem que entrasse em contato novamente no meio da manhã desta quinta-feira, para detalhar melhor os itens entregues na compra feita com o cartão corporativo da Presidência, mas não respondeu mais aos contatos do UOL.
No início da tarde, ela ligou informando que gostaria de detalhar o que forneceu à equipe do presidente: 659 marmitas de almoço com bebida, ao custo de R$ 30, cada, e 2.964 kits de lanche com sanduíche, água, maça e barra de cereal, ao custo de R$ 30, cada.
Segundo ela, o pedido também incluiu algumas garrafas de água, refrigerante e barras de cereal.
“Tudo o que foi comprado foi discriminado na nota. Se você me perguntar se havia 659 pessoas para comerem as marmitas ou 3 mil para comerem os kits, eu não posso responder. Entreguei a encomenda às 5h da manhã no quartel e fui trabalhar”, afirmou.


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Thiago Herdy
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