E Bolsonaro conquistou a PRF – O Bastidor – O Bastidor

A Polícia Rodoviária Federal ganhou protagonismo durante o governo de Jair Bolsonaro. Antes relegada ao segundo plano, com a Polícia Federal sob os holofotes por conta de operações contra a corrupção, os agentes da União que fiscalizam as estradas conseguiram, além de mais atenção, mais dinheiro e poder.
Entre 2018 e este ano, o orçamento da PRF aumentou 1,14 bilhão de reais: saiu de R$ 4,67 bilhões para R$ 5,81 bilhões. No mesmo período, a parcela de dinheiro destinada à PF cresceu 780 milhões de reais, de 7,25 bilhões de reais para R$ 8,03 bilhões.
A diferença aparentemente pequena entre as duas corporações fez com que os gastos relacionados aos policiais rodoviários federais passassem a consumir 28% do orçamento destinado à Segurança Pública neste ano, ante os 26% registrados em 2018. Os dados são do Portal da Transparência do governo federal.
O dinheiro extra foi usado para melhorar equipamentos e infraestrutura da PRF (leia aqui, aqui e aqui), que conta atualmente até com carros de luxo. Essas mudanças permitiram o aumento as competências da corporação, que de fiscalizadora de estradas federais, passou a auxiliar em operações contra o tráfico de drogas e roubo de cargas, principalmente no Rio de Janeiro.
As melhorias cativaram a PRF, que se aproximou do bolsonarismo – e este lucrou em cima dos agentes. Uma das maneiras foi fazer propaganda ostensiva da corporação, com direito a Michelle Bolsonaro vestida de policial rodoviária federal em evento para exaltar as melhorias e destaque no Bicentenário da Independência.
O ápice da aproximação foi Silvinei Vasques (foto abaixo), ex-diretor-geral da PRF. Bolsonarista declarado, ele cumpriu ordens do presidente sem questionamentos ou complicações, algo que Bolsonaro nunca conseguiu totalmente na PF, apesar dos muitos bolsonaristas na corporação.
Deu no que deu: no segundo turno das eleições, a PRF fez uma das maiores operações de fiscalização já conhecidas. A atitude foi considerada um meio de influenciar o pleito, porque atrasou eleitores que viajavam por estradas federais para votar.
O comportamento meticuloso percebido em 30 de outubro contrastou com as brechas deixadas pela PRF nas estradas quando George Washington Sousa viajou do Pará para Brasília. O terrorista viajou com armas de grosso calibre e explosivos que foram usados na bomba plantada nos arredores do Aeroporto do Distrito Federal, para tentar impedir a posse de Lula. Não foi parado em nenhuma fiscalização.
As operações durante o segundo turno das eleições, mais o assassinato de um homem com problemas psiquiátricos por agentes da PRF, fizeram com que Silvinei deixasse o comando da corporação. A saída ocorreu pouco tempo depois do policial tornar-se réu em um processo administrativo por descumprimento de dever funcional.
Mas a medida que o ajudaria a escapar de eventuais punições foi frustrada na terça-feira (27) por Alexandre de Moraes. O ministro do Supremo Tribunal Federal suspendeu trecho da nova Lei de Improbidade Administrativa que impedia a continuação de procedimentos dessa natureza contra servidores que deixaram o cargo pelo qual respondiam sobre atos considerados ilegais.
O próximo chefe da PRF será Antônio Fernando Oliveira. A corporação passará por mais mudanças, que reduzirão o poder adquirido ao longo dos últimos anos. O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, quer rever as funções adicionais concedidas à corporação por Bolsonaro e o ministro Anderson Torres.
Marcelo Freixo continua sua cruzada para conseguir um cargo relevante. Depois de perder a disputa pelo governo do Rio de Janeiro para Cláudio Castro, o político quer o Ministério do Turismo do governo Lula.
Às vésperas da troca de comando no Planalto, o PGR pede ao Supremo que anule parte do indulto de Bolsonaro que beneficia policiais envolvidos no massacre do Carandiru.
Na escolha da senadora Simone Tebet para o ministério do Planejamento conta mais o processo do que o resultado. Tebet merece o cargo. Mas o tratamento que recebeu do PT desde a eleição passa um sinal ruim para o futuro governo.
Polícia do Senado decidiu restringir acesso à casa, depois da tentativa de ataque terrorista no Aeroporto de Brasília. Visitas estão suspensas nesta semana de preparação para a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Acredite: ninguém quer o ministério do Planejamento, uma das pastas mais tradicionais da Esplanada. Nem o MDB, uma das entidades mais vorazes da política, quer saber dele.
A partir de 2023, os ministros terão 90 dias para devolver processos em que pediram vista. Após esse prazo, as ações voltarão automaticamente à pauta. Coincidência ou não, a medida foi editada pelo STF após pedidos de vista de Kassio Nunes Marques e André Mendonça.
As mudanças aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal que acabaram com a farra dos pedidos de vista também mexeram em outras situações vividas pela corte. As medidas valerão para casos urgentes e as repercussões gerais.
Grupos de extrema-direita tentam emplacar versão de que terrorista preso pela Polícia Federal seria petista infiltrado nos protestos de Brasília. Até o momento, porém, nenhum indício apurado pela Polícia Federal aponta essa possibilidade.
Integrantes da PF e da PGR estão preocupados com a ‘altivez’ das autoridades do DF no caso do terrorista que tentou detonar uma bomba nos arredores do Aeroporto de Brasília. O motivo é a possibilidade de anular tudo o que foi feito até agora contra o terrorista.
Os atos das polícias Civil e Militar do DF, ambas comandadas por Ibaneis Rocha, no caso do terrorista que queria colocar fogo nos ânimos e nos arredores do Aeroporto de Brasília foram criticados por integrantes da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República.
O domingo de Natal marcou 10 dias desde que Alexandre de Moraes determinou mais de 100 buscas e apreensões, prisões, quebras de sigilos bancário e fiscal, além da suspensão de registros de atiradores e de quase 170 perfis nas redes sociais. Até agora não se sabe detalhes do documento. Foi divulgado apenas que a ação da PF buscou desbaratar movimentos golpistas.
Gilberto Kassab está confiante de que seu partido, o PSD, ocupará três ministérios no futuro governo de Lula, embora o partido não tenha feito parte da coligação que elegeu o petista.
Faltando pouco mais de uma semana para a posse de Lula, grupos de extrema-direita começam a divulgar tese de que o PL traiu Jair Bolsonaro, deixando o presidente sozinho numa pseudo-luta contra as forças de esquerda.
Integrantes do MDB tentaram emplacar uma solução para a suposta falta de espaço para Simone Tebet na Esplanada dos Ministérios. Sugeriram que Lula indique a senadora para a vaga de Rosa Weber, que se aposenta até outubro do ano que vem.
Lula e Simone Tebet tiveram uma rápida reunião nesta sexta-feira, 23, pela manhã em Brasília. Os dois estavam sem se encontrar desde o segundo turno das eleições.
















