Governo Bolsonaro "passa faixa" da aliança ultraconservadora para Orbán – UOL Confere

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Jamil Chade é correspondente na Europa há duas décadas e tem seu escritório na sede da ONU em Genebra. Com passagens por mais de 70 países, o jornalista paulistano também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção da entidade Transparência Internacional, foi presidente da Associação da Imprensa Estrangeira na Suíça e contribui regularmente com veículos internacionais como BBC, CNN, CCTV, Al Jazeera, France24, La Sexta e outros. Vivendo na Suíça desde o ano 2000, Chade é autor de cinco livros, dois dos quais foram finalistas do Prêmio Jabuti. Entre os prêmios recebidos, o jornalista foi eleito duas vezes como o melhor correspondente brasileiro no exterior pela entidade Comunique-se.
Colunista do UOL
08/12/2022 17h47
O governo de Jair Bolsonaro repassou para Viktor Orbán o comando do Consenso de Genebra, bloco ultraconservador que defende na ONU e OMS uma resistência contra qualquer referência à educação sexual e direitos reprodutivos na agenda internacional. A aliança ainda tem como bandeira a luta contra o aborto.
O temor das lideranças ultraconservadoras é que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva repita o gesto feito por Joe Biden que, nas primeiras horas de seu mandato, emitiu uma ordem para que a diplomacia se afastasse imediatamente da aliança reacionária. Mais recentemente, uma decisão no mesmo sentido foi adotada pelo governo de Gustavo Petro ao assumir a presidência da Colômbia.

Antes de uma eventual ruptura do Brasil com a coalizão, o governo organizou a transferência da secretaria do bloco para as autoridades de Budapeste.
Originalmente, a aliança foi costurada pelos governos de Donald Trump e de Jair Bolsonaro, com a então ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, e o então chanceler Ernesto Araújo no comando. A meta do grupo – que ganhou o nome de Consenso de Genebra – era o de impedir e até vetar qualquer referência em organismos internacionais a temas sobre direitos reprodutivos e acesso à saúde sexual para meninas e mulheres.
Oficialmente, o objetivo era o de lutar contra uma suposta agenda dos organismos internacionais de promover o aborto. Em entidades como a OMS e outras agências da ONU, a versão da aliança é contestada. Os organismos insistem que apenas querem a defesa da vida das mulheres e a descriminalização do aborto, algo que já se provou importante como política de saúde pública.
Além de Brasil, Hungria e EUA, a aliança conta com governos com péssimos resultados em termos de defesa das mulheres, incluindo Arábia Saudita e Bahrein.
Derrotados nas urnas, membros do governo de Donald Trump instruíram seus apoiadores a preservar a agenda ultraconservadora e repassou ao Brasil de Bolsonaro a função de servir como secretaria da aliança.
Agora, com a derrota de Bolsonaro, a secretaria da coalizão foi passada nesta quinta-feira para o governo da Hungria, liderada por um dos governos mais reacionários da Europa e responsável por políticas que geraram amplo debate pela Europa.
Cristiane Brito, ministra de Família, Mulher e Direitos Humanos, fez a transmissão do comando da aliança em um evento em Brasília. Mas lançou um apelo para que os demais países e parceiros “não abandonem” a pauta pela “defesa dos valores da família brasileira”. “Vamos continuar na defesa da família”, insistiu.
Para ela, a aliança “é um marco na defesa da saúde da mulher” e garante a “soberania” dos estados nesses temas. Segundo a ministra, a Hungria passa a ser agora a “guardiã” da aliança e qualificou a ofensiva como um “grande despertar global pela proteção pela vida”.
Ao discursar, o embaixador da Hungria no Brasil, Zoltán Szentgyörgyi, insistiu que os dois países liderados pela extrema direita compartilham os mesmos valores.
Sem conseguir segurar as lágrimas durante o evento, a secretária da Família, Angela Gandra, afirmou que o governo Bolsonaro “cumpriu uma missão”.
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