Leonardo Sakamoto – Atacado por tapioca de R$ 8, Orlando critica … – UOL Confere

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.
É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative – Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de “Pequenos Contos Para Começar o Dia” (2012), “O que Aprendi Sendo Xingado na Internet” (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.
Colunista do UOL
12/01/2023 12h39
O deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP) foi execrado publicamente por ter comprado uma tapioca de R$ 8,30 usando o cartão corporativo ao qual tinha acesso como ministro do Esporte, em agosto de 2007, durante o primeiro governo Lula. Agora, com a queda do sigilo do cartão de Jair Bolsonaro, seus seguidores tentam justificar gigantes gastos fúteis.
Silva apontou à coluna “a hipocrisia dessa gente, que se serve das mordomias do poder e faz pose de gente humilde”.
Jair Bolsonaro, que se vendia como um homem simples que economizava o dinheiro do povo, torrou R$ 1,46 milhão em um único hotel e R$ 362 mil em uma padaria. Ele ganhava salário de R$ 30,9 mil mensais, mas fez o contribuinte lhe bancar R$ 8,6 mil em sorveterias, R$ 5,5 mil no Pizza Hut e R$ 3,39 mil em compras no McDonalds.
Esses e centenas de outros gastos foram tornados públicos, na noite desta quarta (11), após o governo responder a um pedido via Lei de Acesso à Informação que havia sido feito pela agência Fiquem Sabendo.
“Pessoalmente, sempre vi racismo nos ataques que sofri pela compra da tapioca. Um homem preto, nordestino, não cabe em certos lugares do poder. Ainda mais com hábitos populares, se servindo de iguarias como essas”, avalia Orlando.
A quantidade de informação liberada sobre os gastos de Bolsonaro é grande, levando à necessidade de olhá-los com lupa. Ainda mais por se tratar de um político acusado de subtrair parte do salário dos servidores de seu gabinete quando deputado federal e por estar em uma família que comprou 51 imóveis usando dinheiro vivo.
Enquanto isso, ele está sendo duramente criticado nas redes sociais pela incoerência entre discurso e prática, considerando apenas o que já apareceu.
“Utilizei errado o cartão corporativo, em Brasília, comprei uma tapioca por R$ 8,30”, reconhece Orlando Silva.
“A compra foi em agosto de 2007, meu controle interno identificou a compra errada, em novembro daquele ano, e fiz uma GRU de R$ 8,30 para devolver o valor da compra errada ao Tesouro Nacional. O fiz porque não importa o valor, se o gasto é errado é errado.”
A partir de janeiro de 2008, começaram as denúncias sobre o uso de cartões corporativos. “Repeti que havia errado e devolvido o dinheiro mil vezes, sem que tivesse audiência na imprensa. Houve uma escalada de absurdos, tipo hospedagem no Copacabana Palace, onde até então nunca tinha entrado. E mil outras histórias”, afirma.
Ele afirma que, por conta disso, somou os gastos que havia feito com o cartão corporativo, mesmo que se tratassem de situações autorizadas por lei, e devolveu tudo para demonstrar a indignação com a perseguição.
Usando o caso de Bolsonaro como exemplo, Orlando Silva destaca o desvio de finalidade de um instituto que deveria servir para garantir eficácia da administração, e ser utilizado com objetivos muito específicos. Mas que acabou bancando os luxos do presidente, seus familiares e aliados.
Leonardo Sakamoto
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