Tigrão com Lula, Mourão poupou Bolsonaro quando fez limpa nas 3 … – UOL Confere

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É jornalista e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu conflitos armados em países como Timor Leste e Angola e violações aos direitos humanos em todos os estados brasileiros. Professor de Jornalismo na PUC-SP, foi pesquisador visitante do Departamento de Política da New School, em Nova York (2015-2016), e professor de Jornalismo na ECA-USP (2000-2002). Diretor da ONG Repórter Brasil, foi conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão (2014-2020) e comissário da Liechtenstein Initiative – Comissão Global do Setor Financeiro contra a Escravidão Moderna e o Tráfico de Seres Humanos (2018-2019). É autor de “Pequenos Contos Para Começar o Dia” (2012), “O que Aprendi Sendo Xingado na Internet” (2016), ?Escravidão Contemporânea? (2020), entre outros livros.
Colunista do UOL
22/01/2023 13h57
O general da reserva e senador eleito, Hamilton Mourão, que atacou a troca no comando do Exército ordenada por Lula, não teve o mesmo comportamento crítico quando o então presidente Jair Bolsonaro mudou os três comandantes das Forças Armadas de uma só vez, em um gesto inédito, em março de 2021. Naquele momento, o então vice-presidente disse que a troca era uma prerrogativa do chefe do Poder Executivo.
Lula nomeou o general Tomás Ribeiro Paiva, que defendeu o respeito às eleições, no lugar do general Júlio César de Arruda – criticado por leniência com os golpistas. De acordo com Mourão, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, neste sábado (21), Lula “alimenta uma crise” com os militares e faz algo que é “péssimo para o país”.
A gota d’água para a demissão de Arruda (que já havia impedido a polícia de entrar no acampamento em frente ao quartel-general do Exército, na noite do dia 8, após os ataques golpistas) teria sido que o general não quis retirar de um batalhão estratégico um dos mais próximos assessores de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid. Mourão disse que, se a razão fosse essa, Lula estaria criando caso com os militares.
O comportamento é diferente daquele adotado por ele em uma troca coletiva de comandantes durante a gestão Bolsonaro.
Insatisfeito com o não-alinhamento das Forças Armadas às suas necessidades eleitoreiras, o então presidente demitiu o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva, colocando o general Braga Netto no lugar. Também substituiu os comandantes do Exército (general Edson Pujol), da Marinha (almirante Ilques Barbosa Junior) e da Aeronáutica (o brigadeiro Antonio Carlos Bermudez).
Apesar de avaliar, na época, que essa era uma “mudança mais abrupta” e defender que a escolha deveria seguir o princípio da antiguidade, Mourão disse que tudo estava dentro do previsto.
E afirmou: “Comandantes não têm mandato. Por exemplo, quando eu era coronel, fui nomeado comandante de uma unidade, meu mandato era de dois anos. Se fosse interrompido antes é porque tinha havido um problema comigo. Comandantes não têm mandato, podem ser substituídos a qualquer momento”.
Durante a polêmica demissão coletiva, Mourão não quis opinar sobre o ocorrido ao contrário de agora. “Não conversei com ninguém. Procurei me manter fora disso, sou um oficial da reserva. Aprendi com meu pai que quando você passa para a reserva a bola está com os que estão na ativa”, afirmou. O que difere os dois momentos é que, agora, ele é senador eleito.
Para o então vice, um presidente da República “tem a prerrogativa de mudar ministro, comandante de força também” e, portanto, não havia problema na troca. E defendeu que qualquer um que assumisse o comando das forças manteria os militares dentro da legalidade, da legitimidade e da estabilidade.
A declaração crítica ao governo Lula, deste sábado, levou ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa a interpelar Mourão no Twitter pedindo para ele nos poupasse “do seu “reacionarismo, da sua cegueira deliberada e do facciosismo político”. Disse que “péssimo para o país seria a continuação da baderna”.
A avaliação entre membros do novo governo que conversaram com a coluna é de que Mourão está disputando a herança de Bolsonaro com declarações como essa. Neste caso, tentando atrair o espólio bolsonarista nas fileiras das Forças Armadas. Afinal, agora, ele depende de voto.
Mourão, com isso, faz um aceno ao bolsonarismo militar. Ele já havia feito outro à extrema direita civil quando, em 10 de janeiro, dois dias após a invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do STF, ele criticou a detenção de suspeitos por vandalismo e tentativa de golpe de Estado.
Reclamando das condições nas instalações da Polícia Federal, e pedindo ajuda às “verdadeiras entidades ligadas aos direitos humanos”, Mourão disse que o governo Lula agia “de forma amadora, desumana e ilegal”. O Ministério Público Federal, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Defensoria Pública da União discordaram dessa avaliação e afirmaram que os presos estavam recebendo o mesmo tratamento do restante do sistema prisional.
Leonardo Sakamoto
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