Populismo de Lula pode ser projeto de longo prazo com alto custo social – UOL

0
113

Acesse seus artigos salvos em
Minha Folha, sua área personalizada
Acesse os artigos do assunto seguido na
Minha Folha, sua área personalizada

Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Gostaria de receber as principais notícias
do Brasil e do mundo?
Pesquisador associado do Insper, é autor de 'Por que É Difícil Fazer Reformas Econômicas no Brasil?'
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Lula tem adotado uma postura política coerente com o que a literatura chama de “populismo”, caracterizado por líderes que se dizem representantes e defensores do “povo”, em contraposição à “elite”, insensível e gananciosa. Exemplo típico está em falas como: “Por que as pessoas são obrigadas a sofrer para garantir a tal da responsabilidade fiscal deste país? (…) Você tenta desmontar tudo aquilo que faz parte do social e não tira um centavo do sistema financeiro”.
A estratégia de “nós contra eles” tanto pode ser usada por políticos de esquerda, que enfatizam questões econômicas, quanto por de direita, que focam questões culturais e religiosas, a exemplo do que vimos com Bolsonaro.
Populistas usualmente têm maior tolerância com a inflação e geram déficits fiscais insustentáveis. São nacionalistas e protecionistas, bloqueando os ganhos de comércio internacional e subsidiando empresas nacionais por eles escolhidas. Os discursos e ações de Lula têm se encaixado nesse perfil.
Analistas questionam em que momento haveria mudança de postura, considerando que manter essa rota resultaria em uma crise econômica que custaria a Lula e ao PT a derrota na próxima eleição. Em “Populist Leaders and the Economy” (Funke e coautores, 2020) questionam a ideia de que desastres econômicos tiram os populistas do poder.
O artigo analisa um banco de dados com quase 1.500 líderes nacionais, desde 1900, classificando-os em populistas ou não populistas. Utilizando técnicas estatísticas bem estabelecidas, mostram que, após 15 anos da chegada ao poder de um líder populista, de esquerda ou de direita, a renda per capita é 10% mais baixa em relação a um cenário contrafactual, em que não houvesse uma liderança populista.
Apesar do grande e duradouro estrago econômico, é comum que líderes populistas sobrevivam no poder por uma década ou mais. Em média, ficam oito anos no poder, ante quatro dos não populistas. E têm maior probabilidade de retornar posteriormente, para novos mandatos.
A opção pelo populismo parece politicamente racional. Ainda que de alto custo econômico e social.
Um exemplo da resiliência política do populismo está no peronismo. Desde que Perón chegou ao poder na Argentina, em 1946, as políticas por ele inspiradas têm provocado decadência econômica. Apesar disso, o peronismo se mantém como a principal força política daquele país há oito décadas. Renasceu após a ditadura militar e sobreviveu à hiperinflação.
As relações de clientela criaram fidelidade política, tornando-se máquinas de gerar votos. A culpa pelos problemas econômicos sempre pode ser colocada em um bode expiatório: o FMI, as elites, o imperialismo internacional, a sabotagem da oposição, o Banco Central.
Se na Argentina a estratégia de poder “deu certo”, por que não daria no Brasil? Talvez esse seja o cálculo de Lula.
Segundo dados do Maddison Project Database, quando Perón chegou ao poder, a Argentina tinha a 9ª maior renda per capita. Superava, por exemplo, França, Bélgica, Noruega e Países Baixos. Em 2018, havia descido para a 64ª posição. A renda per capita caiu do equivalente a 57% da dos EUA, em 1947, para 34%, em 2018. Entre 1950 e 2018, cresceu apenas 133%, ante 354% da média mundial: 115ª colocada entre 145 países.
Os custos econômicos e sociais de uma estratégia populista seriam ainda maiores para o Brasil. Por ter começado o seu processo de destruição econômica a partir de uma renda muito alta, a Argentina teve gordura para queimar. A despeito do longo declínio, sua renda per capita ainda é 46% maior que a brasileira. Nunca fomos ricos, eles sim.
Os indicadores econômicos e sociais da Argentina são muito melhores que os nossos. Eles estão em 47º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, e nós, em 87º. Têm mais escolaridade, menos analfabetismo, menos pobreza, maior expectativa de vida. A desigualdade na Argentina é alta, porém menor que a nossa: entre 108 países na base de dados do Banco Mundial, estamos em 6º no ranking, e eles, em 18º.
Embarcar em um peronismo à brasileira terá custo socioeconômico alto e persistente.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Assinantes podem liberar 5 acessos por dia para conteúdos da Folha
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Leia tudo sobre o tema e siga:
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Carregando…
Carregando…
Belém é escolhida candidata do Brasil para sediar a COP 30
Importância do pré-natal para a saúde da gestante e do bebê
Bradesco Seguros desenvolve formato pioneiro de aprendizagem para corretores
Transmissão é caminho fundamental para energia renovável
Prioridades para 2023 incluem novas soluções em nuvem, IA e segurança
Em todo o ano, juntos pelo seu negócio
Soluções da Clara liberam empresas para foco total nos negócios
Vacilo no descarte de dados facilita ação de golpistas
Cartão de crédito versátil revoluciona pagamentos corporativos
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Megaoperação irá além da ação emergencial e buscará evitar retorno da atividade ilegal, segundo ministra
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
Em disputa por vácuo na direita em 2026, líderes se descolam do ex-presidente e dosam contrapontos a Lula
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
OUTRO LADO: Gestão de Waguinho em Belford Roxo (RJ) diz que exonerações ocorreram para criar nova estrutura administrativa

O jornal Folha de S.Paulo é publicado pela Empresa Folha da Manhã S.A. CNPJ: 60.579.703/0001-48
Copyright Folha de S.Paulo. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress.
Cadastro realizado com sucesso!
Por favor, tente mais tarde!

source

Leave a reply